quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009


"Meu Deus do céu, quanta maldade ", esses são meus pensamentos quando lembro desse livro.
É horrível , desumano, desprezível, o que aconteceu com essa garota.
Fico tão revoltada, que não consigo expressar com palavras o odio e o asco que senti por esses seres que se dizem humanos.
Somente o ser humano mesmo, é capaz de ser tão desprezível com alguém se sua própria raça.
QUE NOJO uma mãe e um pai, fazer isso com sua própria filha, não consigo entender o lado cultural dessa historia. Não aceito esse tipo de coisa, seja na África, na Índia, na Jordânia ou na Cisjordânia, alias não aceito isso de nenhum país, pessoas que fazem esse tipo de coisa não merecem respeito, independente de ter sido esse o modo com que foram educados.
Na minha opinião, isso não é um costume que deve ser respeitado ou ignorado e sim erradicado.


Livro emocionante, triste e inesquecível.
Vou contar abaixo um pequeno resumo que fiz sobre o livro



QUEM AINDA NÃO LEU O LIVRO, NÃO LEIA ESSE RESUMO.
LEIA O LIVRO


Espancada quase todos os dias , sem direito algum, somente ao trabalho, e sendo tratada de forma desumana, Souad é ainda uma menina, quando sua vida que já não era boa, se transforma em um pesadelo.
Começou a tragédia desde o seu nascimento. Em sua aldeia na Cisjordânia , nascer mulher é uma maldição, engravidar fora do casamento então é um pecado mortal.

A vida de Souad se resume da casa para o campo, sem liberdade, sem direito a estudos, uma vida de sofrimentos e humilhações, seu sonho era casar-se o mais rápido possível, na esperança de quem sabe, não ser espancada pelo seu marido e gozar de alguma liberdade.
Apaixonada por Faiez que promete casar-se com ela, Souad se entrega á paixão antes do casamento e com medo de perder o amado, cede aos seus pedidos.
Souad acaba engravidando.
Abandonada, e com medo, tenta em vão abortar.
Após 4 meses, seus pais começam a desconfiar e exigir a prova de sua mentruação, desesperada Souad tenta fugir mas não adianta, seu crime foi contra a “honra” da família, sua sentença ?. Ser queimada viva por seu cunhado , (devidamente autorizado a cometer esse ato, pelos próprios pais de Souad) .

Levada ao Hospital, foi tratada de forma desumana, com direito a insultos e maus tratos por parte das “enfermeiras”.
Sua mãe foi ao Hospital , e tentou envenena-la, só não o fez porque o medico chegou no momento exato , expulsando e proibindo a entrada de qualquer pessoa da família.

Souad deu a luz a um menino, aos 7 meses de gestação que foi imediatamente levado a um orfanato pelo conselho tutelar .
Vale lembrar que geralmente as crianças que são frutos de relacionamentos ilegítimos, e separadas dos pais, são mal tratadas e desprezadas tanto na comunidade quanto no orfanato.


Sua historia sensibilizou Jaqueline membro da organização humanitária Terra dos Homens, que conseguiu driblar a família de Souad , levando-a para Suiça , sem antes procurar o pequeno Marouan para ir junto.

“ Eu estava legalmente morta na Cisjordânia e Marouan não existia lá “

Na Suíça , Souad sofreu com a depressão, desejando morrer, acreditando que ela tinha culpa , que era merecedora daquilo.
Aprendeu outros hábitos, assim como conviveu ( mentalmente) durante algum tempo, com os costumes de sua aldeia.

“ Para uma mulher do meu país, viver sem homem é um castigo para a vida inteira”

Passou por diversas cirurgias, conflitos, tristezas e dores.
Ela era uma criança de 20 anos, não sabia nada da vida, das responsabilidades, da independência, levaria anos para Souad voltar a ser um ser humano e aceitar-se tal como era.
Saiu da Suíça após o termino dos tratamentos , onde foi acolhida junto com seu filho, por uma família que recebia muitas crianças enviadas pela Terra dos Homens.
Aos cinco anos seu filho foi adotado por essa família.

“Marouan tinha cinco anos quando assinei os papéis que autorizavam a nossa família de acolhimento a adoptá-lo. Entretanto eu tinha feito alguns progressos na língua deles - continuava a não saber ler nem escrever, mas sabia o que fazia. Não se tratava de um abandono. Os meus novos pais iam educar o rapazinho o melhor possível. Ao passar a ser filho deles, ia poder beneficiar de uma verdadeira educação e usar um nome que o poria a salvo de todo o meu passado. Eu era totalmente incapaz de lhe dar equilíbrio, de lhe dispensar cuidados, uma escolaridade normal. Muitos anos mais tarde, sinto-me culpada por ter feito essa escolha. Mas esses anos permitiram-me reconstruir uma vida em que já não acreditava, embora a esperasse instintivamente. Não sei explicar tudo isto muito bem sem desatar em pranto. Durante todos estes anos quis convencer-me que não sofria com essa separação. Mas não é possível esquecer um filho, sobretudo aquele filho.”


“ O meu filho falava a língua, tinha pais europeus, documentos, um futuro normal tudo o que eu não tinha tido e continuava a não ter”

“Escolhi sobreviver e deixa-lo viver”


Souad começou a trabalhar e depois de um tempo conheceu Antonio com quem se casou e teve duas meninas Laetitia e Nadia.
Aprendeu com dificuldade a ler, e a voltar ao convívio social. Sofreu muito com suas cicatrizes, passou por uma depressão profunda, chegando a tentar suicídio.

Após o reencontro com seu filho e a revelação as filhas, Souad decidiu fazer um livro e divulgar ao mundo as atrocidades cometidas em nome da honra.
Jaqueline presidente da ONG SURGIR, ajudou Souad a divulgar ao mundo as atrocidades cometidas contra as mulheres.


Souad passou por tudo isso, e não deixou de sorrir, esse era o único modo de se comunicar com as pessoas. Ela não deixou de chorar também, quando o fazia, era escondido. Apesar de ser acostumada a pancadas, não deixou de agradecer.

Quantas vezes reclamamos da vida, deixamos de ser educados e alegres por conta de problemas tão pequenos.
Vamos dar valor as nossas vidas.
AGRADEÇA




A SURGIR é uma fundação Suíça , em defesa das mulheres vítimas de violência.


www.surgir.ch

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